Terça-feira, 28 de Agosto de 2007

DIA DE GANESHA, O DEUS CARA DE ELEFANTE

No hinduísmo, Ganexa ou Ganesha é uma das mais conhecidas e veneradas representações de deus. Ele é o primeiro filho de Shiva e Parvati, e o "esposo" de Buddhi (também chamada Riddhi) e Siddhi. Ele é representado como um deus amarelo ou vermelho, com uma grande barriga, quatro braços e a cabeça de elefante com uma única presa, montado em um rato. Em termos gerais, Ganesha é uma divinidade muito amada e frequentemente invocada, já que é o Deus da Boa Sorte a quem proporciona prosperidade e fortuna e também o Destruidor de Obstáculos de ordem material ou espiritual. É por este motivo que a sua graça é invocada antes de iniciar qualquer tarefa (por exemplo, viajar, prestar uma prova, realizar un assunto de negócios, uma entrevista de trabalho, realizar uma cerimónia) com Mantras como: Aum Shri Ganeshaya Namah (salve o nome de ganesha), ou similares. É também por esse motivo, que tradicionalmente, todas as sessões de bhajan (cântico devocional) iniciam com uma invocação de Ganesha, o Senhor dos "bons inícios". Por toda a Índia de cultura hindu, o Senhor Ganesha é o primeiro ídolo colocado em qualquer nova casa ou templo.

O MITO DE GANESHA

Ganesha pertence à família dos deuses mais populares do Hinduísmo. Ele é o filho mais velho de Shiva e Parvati. Shiva é a terceira pessoa da trindade hindu. É o Deus da renovação, destrói para construir algo novo (transformação). Ele é o criador da Yoga. Parvati é a filha dos Himalayas. Deusa da beleza, mãe bondosa e mulher devotada. Shiva tem alma aventureira e adora viajar montado em sua vaca branca Nandi. Infelizmente, os lugares que ele mais gosta são as montanhas inacessíveis e perigosas. Adora também os crematórios, mas a sua paixão é a meditação e a Yoga. Quando pratica a Yoga, nem mesmo um terramoto o perturba.

 

Algum tempo depois do seu casamento com a bela Parvati, vivendo no Himalaya, longe da civilização, Shiva começava a sentir falta das suas viagens; foi quando Parvati, já desconfiada, pergunta-lhe: —« Shiva, por que não viajas algum tempo? Não sentes saudades dos teus companheiros?»

 

 — «Quando estou perto de ti, não sinto falta de nada. E, na verdade, todos os meus companheiros estão em torno da casa, eles nunca se afastam de mim. Eu não quero assustá-la, mas todos os fantasmas, demónios e gnomos, apesar de estarem invisíveis e quietos, estão presentes. Espero apenas que não peças para mandá-los embora, pois são como crianças e sabem o quanto te amo.»

 

— «Claro que não Shiva, podem ficar. Mas e a tua meditação? Ela era a tua maior ocupação?»

 

 Shiva, no fundo, sabia que ela estava certa e que tinha muitas saudades das montanhas, onde se sentava para meditar. E sabia que fora através da meditação que se conseguira transformar num Deus tão poderoso. Shiva então, depois de uma longa conversa, decidiu sair para meditar. Feliz, Shiva coloca a sua pele de tigre na cintura, enrola as suas cobras favoritas no pescoço, apanha o seu tridente e sai montado na sua vaca, Nandi, seguido de seus estranhos companheiros.

             

Mas não podemos nos esquecer que quando Shiva medita, é impossível despertá-lo. E foi isso que aconteceu, muito tempo se passou. Quando, finalmente, Shiva se levantou da posição de lótus, lembrou-se de sua Parvati e correu de volta para ela. Nesse entretanto, Parvati transformara aquela simples casa num lugar muito confortável e bonito. E nem ficou sozinha por muito tempo. Shiva não sabia, mas tinha-a deixado grávida. E no tempo certo, deu à luz um lindo bebé, Ganapati.

 

Os anos passaram-se, o deus bebé cresceu e transformou-se num rapazinho muito inteligente. Numa manhã de primavera, Parvati tomava banho enquanto Ganapati mantinha-se perto do portão, aguardando a mãe. Neste instante um homem alto, com cabelos longos, um monte de cobras enroladas ao pescoço e vestido com uma pele de tigre e uma aparência selvagem, aproxima-se do portão.

 

Shiva parou e olhou com estranheza para a casa. "Será que esta casa linda era mesmo a sua? E quem seria aquele rapaz parado no portão? «Deixa-me entrar!» — disse Shiva, impaciente e descortês.

— «Não» — respondeu Ganapati — «Não pode entrar!»

 Empurrando o rapaz para o lado, Shiva atravessou o jardim e foi directo para casa. Ganapati sabia que sua mãe estava a tomar banho, e aquele homem rude não poderia entrar na sua casa. Correu e colocou-se à porta, de espada em punho. Pobre menino! Que hora mais infeliz para provocar a ira do pai! E Shiva, nesse momento, perdeu completamente as estribeiras e o seu terceiro olho, o do poder, apareceu no meio da sua testa, brilhando como fogo, e em segundos o corpo do rapaz jazia sem cabeça no chão.

             

Ouvindo vozes e gritos, Parvati apressou-se e saiu correndo do banho. Ao abrir a porta, viu horrorizada o corpo do filho estendido sem cabeça; e à sua frente, o marido, que há tanto se fazia ausente. Shiva corre para abraçá-la; e ela, desviando-se do abraço, chora amargamente. — «Mas o que é que foi que fizeste?» — repetia, torcendo as mãos em desespero. — «Este era o teu filho, e tu mataste-o!»
Só então Shiva caiu em si e tentou confortá-la:
— «O Nosso filho é um Deus; portanto, não pode estar morto. Encontra-se apenas desmaiado.» Mas Parvati não queria ouvir nada daquilo e lhe disse:

                      
— «Destruíste-o! De que serve um Deus sem cabeça?»

 Shiva tentou da melhor forma que podia dizer-lhe que não tinha feito nenhum mal ao rapaz, mas Parvati insistia com Shiva para que ele colocasse a cabeça do seu filho no lugar, mas Shiva dizia que não podia desfazer o que já estava feito. E Parvati chorava muito...

 Então Shiva teve uma idéia: capturar o primeiro animal que encontrasse e tirar-lhe a cabeça para colocá-la sobre os ombros de seu filho. Foi quando encontrou um elefante bebé. Tirou-lhe a cabeça e a colocou-a em Ganapati; e naquele momento, o nome do rapaz passou a ser Ganesha.

Parvati tentou de diversas formas mudar o acontecido e pedia aos outros Deuses que dessem ao seu filho uma cabeça decente.

Então os deuses pediram à linda Parvati que secasse suas lágrimas e tudo se resolveria. Brahma, que adora as crianças, Vishnu e Indra pediram à Parvati que perdoasse Shiva, pois ele não sabia o que estava a fazer e deixaram bem claro que Ganesha não perderia nada com isso. Apesar de não ser tão atraente, todos o reconheceriam pela sua bondade e o amariam pelo que ele era. Brahma prossegue:
·
-«Ganesha será o Deus da sabedoria, será o Escrivão dos céus e o Deus da literatura.»

Acrescenta, Vishnu:
-«Será o Deus que removerá todos os obstáculos, e será para Ganesha que todos rezarão em primeiro lugar, antes de invocar qualquer outro Deus. Será o Deus que sorrirá dando boa sorte a todos os novos empreendimentos.»

 E foi assim que tudo aconteceu...

 

 

publicado por DT às 03:37
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1 comentário:
De Escola Yoga - Amadora a 7 de Novembro de 2007 às 13:42
Olá!

Adorei as imagens da motologia hindu.

Yôga é de facto uma verdadeira filosofia de vida prática que muito prazer trás a quem pratica.
Recomendo:
www.yogamadora.com

Abraços

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